Santa Catarina registra maior taxa de doações de múltiplos órgãos da história

Antes mesmo de fechar o ano, Santa Catarina alcançou a maior taxa de doações de múltiplos órgãos da sua história. Até a primeira quinzena de novembro foram registradas 217 doações,14 a mais do que em 2015, até então considerado o maior índice no Estado. Os dados são do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), veículo oficial da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

De acordo com os dados do terceiro trimestre de 2016, a média nacional ficou em 14,4 doadores efetivos de órgãos por milhão de população (p.m.p), enquanto, no mesmo período, Santa Catarina registrou um índice de 36,2 doadores p.m.p.

No decorrer deste ano, Santa Catarina também se destacou, pela segunda vez consecutiva, entre os cinco melhores resultados do mundo. No ranking dos cinco países com os melhores resultados, Croácia e Malta possuem uma população menor que a do Estado.

O coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, atribui os números a um planejamento de longa data. “Este números foram obtidos, principalmente, pelo cumprimento de um plano elaborado há anos. Em 2008, a nossa equipe realizou um treinamento na Espanha – que é o país com os melhores índices – e nós voltamos de lá com um projeto para adequar o nosso modelo ao modelo deles. Assim, nós fomos progressivamente obtendo melhores resultados aplicando cada uma das etapas do processo. “, comenta Andrade.

No Estado, mais de 6 mil famílias já permitiram a doação de órgãos de parentes. E o resultado reflete-se no dia a dia de 11,8 mil catarinenses que vivem com algum tipo de transplante. E os números aumentam: estima-se que, mantida a média atual de 20 doadores por mês, o RBT deve fechar o ano registrando cerca de 240 doações. Sendo assim, Santa Catarina também atingirá a importante marca de 13 mil transplantes realizados no período entre 1999 e 2016.

Segundo Andrade, as equipes de captação de órgãos têm grande importância no processo de convencimento das famílias. “Nós possuímos um modelo de captação de órgãos inédito na América Latina: cada hospital de Santa Catarina possui um grupo de profissionais de saúde responsável pela procura de doadores e que fazem isso de maneira remunerada. Estas equipes passam por um treinamento muito forte no preparo para lidar com as famílias de possíveis doadores. Parece simples, mas não é”, explica o coordenador da SC Transplantes.

Neste ano, cerca de 800 transplantes já foram realizados. Córnea, rim, fígado, esclera e medula óssea ocupam, respectivamente, os primeiros lugares no ranking de tecidos e órgãos mais transplantados. O fígado teve número recorde de transplantes, com 123 procedimentos realizados até o dia 31 de Outubro deste ano. O recorde anterior foi registrado em 2013, com 116 transplantes.

Mesmo com os excelentes números, Andrade aponta que eles ainda podem melhorar. “Nós ainda possuímos uma taxa de, mais ou menos, 36% de não autorização familiar, mais do que o dobro do que o país modelo, a Espanha, onde a taxa fica por volta de 15%. Por isso, temos perseguido, cada vez mais, aprimorar os mecanismos de aproximação das equipes de captação.”

Não Doadores
Além da maior taxa de doadores do país, Santa Catarina possui a segunda menor taxa de Não Doadores, com 58%, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul, com 57%. A taxa nacional é de 72%. Este índice decorre de uma série de fatores, entre eles a recusa dos familiares e de pessoas que não podem doar devido contra-indicação médica, parada cardíaca e outros problemas de saúde.
Quem pode doar

Todos podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito, basta comunicar sua família sobre o desejo da doação. A doação de órgãos só ocorre após autorização familiar.

Eduardo Correia

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