Prevenção ao suicídio precisa da mobilização de toda a sociedade

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Estiveram presentes na reunião da Saúde Mental de Jaraguá do Sul desta sexta-feira (28), na prefeitura, profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial (Capsi, Caps AD e Caps II) do município, da Secretaria Municipal de Saúde, Educação e Social, membros da OAB, de escolas, de faculdade e do Hospital Jaraguá. Na reunião foram apresentados dados de ideação, tentativa e suicídio entre os adolescentes, colhidos nos Caps. Os participantes discutiram as possíveis causas dessa realidade, que frequentemente “bate à porta” dos Caps, das escolas, do Centro de Valorização da Vida (CVV), das igrejas, dos hospitais, do Conselho Tutelar. Entre os apontamentos estão em primeiro lugar a família e o papel dos pais na vida dos filhos; a escola e sua deficiência em formar cidadãos; a sociedade que não consegue inserir e dar sentido à vida dos adolescentes.

Foi apresentado um vídeo produzido em conjunto com servidores municipais da saúde, educação e social para se ter uma ideia sobre o que pensam e o que querem os adolescentes. A produção foi feita por meio do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas e contou com alunos da Escola de Educação Básica Holando Macelino Gonçalves, da Ilha da Figueira. No vídeo, os próprios adolescentes entrevistaram profissionais e membros da comunidade para saber opiniões a respeito de temas que os intrigavam, como opção sexual, o que é certo, o que é errado, bullying, como tratar o colega de sala, como lidar com os próprios sentimentos. Queixas recorrentes dos adolescentes são: “meus pais não me escutam”, “eu estou sempre errado”. Entre as soluções apresentadas pelos participantes da reunião está a de dedicar uma hora por dia ao filho, seja para conversar, brincar ou conviver. Palestras voltadas à família foi outro apontamento.

A coordenadora do Serviço de Saúde Mental de Jaraguá do Sul, Denise Thum, explicou que os casos de pensamentos, tentativas ou propriamente o suicídio sempre estiveram presentes no serviço, mas que o fenômeno do “jogo da Baleia Azul” trouxe mais casos à tona, mais comoção da sociedade para o tema e ajuda na mobilização das famílias, das escolas, das entidades para discussão do assunto. Uma das ações que está sendo tomada pela Secretaria Municipal de Saúde é a formulação de uma Nota Técnica de orientação, voltada aos setores que atendem o adolescente. A nota alerta para que se aumente o nível de suspeita para os casos de adolescentes que demonstrarem mudanças de comportamento, como:
-fala sobre morte
-isolamento
-perda de interesse por atividades de que gostava
-insônia ou aumento das horas de sono
-piora no desempenho escolar
-automutilação

A nota complementa que, em caso de observância de um ou mais comportamentos citados acima, deve-se encaminhar a criança ou o adolescente a uma unidade de saúde para  posterior atendimento no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi), no bairro Nova Brasília.

Clarissa Hammes Borba de Oliveira

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