Defesa Civil SC participa de curso voltado a prevenção e gestão de risco no Japão

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Pela terceira vez, Santa Catarina envia equipe técnica para o Japão.  O curso é de Prevenção e Gestão de Risco, oferecido pela Agência de Cooperação internacional do Japão – JICA. De Santa Catarina, quem participa é o Diretor de Prevenção da Defesa Civil SC, Fabiano de Souza representa o Estado catarinense.  Ele embarca nesta sexta-feira (30) e ficará durante um mês no Japão. Apenas SC e RJ

Em novembro de 2014 o curso foi direcionado para previsão e alerta, que fazia parte do Projeto de Fortalecimento das Estratégias Nacionais para a Gestão Integrada em Riscos de Desastres Naturais – Projeto Gides (Brasil – Japão). Conforme o diretor, apenas SC e RJ participaram do projeto Gides em 2014. “Esse projeto é o que dá o escopo para a cooperação entre Brasil e Japão”, explica. Os órgãos do Governo Federal, representantes da Secretaria Nacional de Defesa Civil, Defesa Civil de SC e Cemaden integram a delegação brasileira.

A expectativa do catarinense em relação ao curso de Planejamento de Prevenção é grande. “Minha expectativa é maior que a anterior porque a gama de informação será muito maior. O primeiro curso que fiz era uma pequena parte do que eu desempenho aqui na secretaria, agora ele abrange praticamente tudo o que eu faço na diretoria de prevenção”, comenta De Souza.

Para a prova final, os alunos deverão apresentar um esboço de um plano de prevenção voltado para a região de cada um. “A ideia é que ele sirva de minuta para que quando eu chegar ao Brasil, em Santa Catarina, posso dar continuidade com mais tempo junto da equipe da Defesa Civil”, almeja.

Apenas dois Estados brasileiros participam das atividades, SC e  RJ. O projeto de formação começou em 2011, após a Jica finalizar os estudos no Vale do Itajaí, quando a região foi duramente castigada pela maior tragédia climática da história de Santa Catarina. Na época, mais de 130 pessoas morreram.

 

Informação extra

 

Gides

O Gides foi criado em agosto de 2013 em parceria entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Jica. Numa reaproximação do Governo Federal e o Governo Japonês (No âmbito federal o Ministério da Integração, Ministério das Cidades, Ministério da Ciência Tecnologias e Inovação, e Ministério de Minas e Energia. Entre as cidades escolhidas para participarem deste projeto está Blumenau (SC), Petrópolis (RJ) e Nova Friburgo (RJ), considerados municípios que mais sofreram com as consequências dos desastres naturais de 2008 e 2011.

 

O Programa de Criação Conjunta de Conhecimento da Jica

 

O programa visa dar assistência aos participantes na formulação de Planos de Melhorias para a Redução de Riscos de Desastres do país de origem ou de sua região. Tendo como base no conceito geral de prevenção e redução de desastres, através da compreensão do sistema de gestão de desastres dos governos central e locais do Japão para os vários tipos de desastres. Além disso, o Programa também tem como objetivo fortalecer a cooperação regional, especialmente a coordenação inter-institucional de redução de riscos de desastres.

O programa é oferecido para funcionários de órgãos públicos responsáveis pela redução de riscos de desastres naturais. Após a conclusão do curso, o participante da Defesa Civil SC receberá um certificado emitido pela JICA e terá condições de analisar e compreender a situação atual do Estado.

 

A JICA e o Desenvolvimento de Capacidades

O elemento chave que norteia as operações da JICA desde a sua fundação em 1974 tem sido a convicção de que o “desenvolvimento de capacidades” é elemento central no desenvolvimento socioeconômico de um país, independente dos esquemas operacionais específicos a serem implementados, tais como o envio de especialistas, projetos de desenvolvimento, projetos de estudos de desenvolvimento, programas de Criação Conjunta de Conhecimentos (chamados de “treinamentos” até 2015), programas JOCV, etc.

Dentro desta grande variedade de programas, os programas de Criação Conjunta de Conhecimentos têm desempenhado um papel importante nas operações da JICA. Realizados no Japão, eles visam oferecer aos países parceiros a oportunidade de adquirir conhecimentos acumulados pela sociedade japonesa. Os participantes enviados pelos países parceiros poderão encontrar uma gama de conhecimentos úteis e terão a oportunidade de recriar os seus próprios conhecimentos, reforçando assim as suas capacidades e do organismo e sociedade a que pertence.

Aproximadamente 460 programas pré-concebidos abordam uma vasta gama de áreas profissionais, abrangendo desde educação, saúde, infraestrutura, energia, comércio e finanças, até agricultura, desenvolvimento rural, integração das mulheres e proteção ambiental.

Uma variedade de programas tem sido adaptados para atender às necessidades específicas dos diferentes organismos-alvo, tais como as entidades relacionadas com a tomada de decisões, provisão de serviços, assim como instituições de pesquisa e acadêmicas. Alguns programas foram concebidos de forma a abranger países que enfrentam desafios similares no processo de desenvolvimento.

 

A Experiência Japonesa de Desenvolvimento

O Japão foi o primeiro país não ocidental que teve sucesso na modernização de sua sociedade e economia. Na essência deste processo que se iniciou há mais de 140 anos, se identifica o conceito “adotar e adaptar”, ou seja, a importação de uma vasta gama de técnicas e conhecimentos de países desenvolvidos. Estas técnicas e os conhecimentos tem sido adotados e/ou aperfeiçoados incorporando as técnicas, os conhecimentos e as iniciativas locais, sendo internalizadas pela sociedade japonesa para responder às suas necessidades e circunstâncias locais.

Desde a engenharia aos métodos de controle da produção, a maioria do know-how que permitiu ao Japão ser o que é atualmente, emana deste processo de “adoção e adaptação”, o qual, obviamente, houve de um número incontável de fracassos e erros detrás de cada história de sucesso. Nós entendemos que tais experiências, tanto as de êxito como as de fracasso, são de grande valia aos nossos parceiros que enfrentam atualmente os desafios do desenvolvimento.

Entretanto, a tentativa de compartilhar o conjunto da experiência japonesa de desenvolvimento tem sido um desafio para nós. Tal desafio advém em parte da dificuldade de explicar um conjunto de conhecimentos tácitos – um tipo de conhecimento que não pode ser expressado em números e palavras. Além de tal dificuldade, o sistema sociocultural do Japão difere largamente daqueles existentes em outros países industrializados do Ocidente e assim permanece desconhecido para muitos países parceiros. É por este simples motivo que a vinda ao Japão pode ser um meio de superar tal lapso cultural.

A JICA deseja convidar o maior número possível de líderes dos países parceiros para nos visitar, para ter contato com o povo japonês e testemunhar as vantagens, assim como as desvantagens do sistema japonês, de forma que o conjunto de descobertas de cada um contribua para que possam atingir as suas próprias metas de desenvolvimento.

 

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