Agricultores catarinenses voltam a investir na produção de milho

Na contramão da tendência histórica, a safra 2016/17 terá aumento na área plantada de milho em Santa Catarina. Motivados pelo aumento no preço do grão, os produtores catarinenses voltaram a investir no milho e pela primeira vez em 15 anos, a área plantada vai crescer no Estado.

A estimativa inicial é que o aumento seja de 1,57% – serão 5.778 hectares a mais de milho grão plantado em Santa Catarina, que podem resultar em uma produção de 2,9 milhões de toneladas. A expectativa para a próxima safra foi divulgada pela Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca nesta terça-feira, 20, durante encontro com lideranças do setor.

Mesmo com um crescimento na produção de 9,65%, chegando a 2,9 milhões de toneladas de milho na próxima safra, Santa Catarina ainda se mantém como grande importador do grão. O Estado é um pólo da suinocultura e avicultura e consome aproximadamente 6 milhões de toneladas de milho por ano, são mais de 16 mil toneladas consumidas todos os dias pela cadeia produtiva da proteína animal.

A produção pode estar longe de atender a demanda catarinense, mas o secretário da Agricultura Moacir Sopelsa está otimista. “Nós sempre seremos importadores de milho, nossa demanda é muito grande. Nós somos o maior produtor de suínos do país e o segundo maior produtor de aves, o que nós queremos é diminuir essa dependência dos outros estados”, afirma.

O aumento na produtividade esperado para safra 2016/17 é de 7,7 toneladas/hectare, 7,96% a mais do que na última safra. A meta da Secretaria da Agricultura é que Santa Catarina, em quatro anos, chegue a produzir 10 toneladas por hectare. E os produtores também perseguem esse ideal, tanto que 79% das sementes retiradas através do Programa Terra-Boa são de alta tecnologia, ou seja, mais de 173 mil sacas.

“Os produtores já entenderam que o investimento em tecnologias e em sementes de alta produtividade é fundamental para mantermos a viabilidade da produção de proteína animal em Santa Catarina”, ressalta o secretário adjunto Airton Spies.

A estimativa do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri) ainda é inicial e os números serão atualizados ao longo do ano. Informações do Sistema Cooperativista indicam que o aumento na área plantada pode ser ainda maior, explicado pelo crescimento de até 20% na venda de sementes de milho em algumas regiões. “A área plantada de milho em Santa Catarina vinha diminuindo em média 6% ao ano, esse crescimento representa um novo caminho a ser trilhado. Governo do Estado e produtores estão empenhados em manter a competitividade do agronegócio catarinense”, afirma Sopelsa.

Para o milho silagem as previsões também são positivas, com um aumento na área plantada para a safra de 2016/17 de 1,83%, resultando em 211 mil hectares destinados ao plantio. Com a expectativa de clima favorável, a produção deverá ser de 8,3 milhões de toneladas, 2,45% maior que a da safra anterior.

Soja

A área plantada de soja também deve aumentar na safra 2016/17, porém em um ritmo menor do que nos últimos anos. A área destinada ao plantio vinha crescendo cerca de 8% ao ano, e na próxima safra o aumento será de 1,65%. Serão 646 mil hectares plantados.

O aumento da produtividade deverá resultar em uma produção 6% maior do que na safra anterior, 2,2 milhões de toneladas. As regiões onde são esperados os maiores incrementos de área são Concórdia, Curitibanos, Ituporanga e Campos de Lages.

Arroz Irrigado

As áreas destinadas ao plantio de arroz já estão consolidadas em Santa Catarina, mas mesmo assim espera-se um aumento de 0,45% na área plantada para a safra 2016/17. O clima propício deve promover produtividades superiores às observadas no ano passado, resultando em produção de 1,1 milhão de toneladas no ano que se inicia.

Feijão 1ª safra

A produção de feijão vem diminuindo em Santa Catarina e perdendo espaço para outras culturas. Nos últimos 10 anos, o Estado perdeu cerca de 78% de sua área de feijão total e para a primeira safra 2016/17 essa queda na área plantada deve ser de 4,5%.

Mesmo com a diminuição na área plantada, o Cepa/Epagri acredita num aumento da produção de 6,46%, passando para 88.999 toneladas na primeira safra 2016/17.

Ana Ceron

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