Acabou… E agora?

A população brasileira é formada por 206 milhões de habitantes, dos quais 144.088.912 são eleitores, divididos em 5.568 municípios. Boa parte deles foi às urnas nesse domingo para exercer o direito de escolher de forma livre e consciente os responsáveis que conduzirão os destinos dos municípios nos próximos quatro anos, num cenário de descrença total pela qual passa a classe política brasileira.

Divulgados os resultados das eleições, é comum ouvir-se: “felizmente acabou”…  Muito pelo contrário! Nosso compromisso como cidadãos inicia-se efetivamente com a concretização da escolha dos nossos representantes, uma vez que a cada um de nós é atribuído o compromisso de acompanhar, fiscalizar e cobrar a realização das promessas de campanha a fim de  que haja uma gestão participativa.

O exercício de nossos direitos é um passo fundamental para o estabelecimento da cidadania, pois adquirimos o direito ao voto depois de inúmeras lutas, muito embora muitos cidadãos ainda não aprenderam a usufruir desse direito. Por essa razão, é necessário que se faça uma grande faxina em todos os ressentimentos vividos no decorrer do processo eleitoral. É preciso que aprendamos de uma vez por todas que em qualquer competição haverá sempre vencedores e vencidos, mas é algo natural e como tal deve ser encarado. No exercício da democracia deveríamos encarar o outro não como adversário, mas sim como um concorrente com ideias e metas diferentes na busca do bem comum, cada qual com suas propostas, cabendo ao povo a liberdade de escolha. Assim, terminado todo o processo deve cair por terra todas as rivalidades para que a transição seja transparente e produtiva.

Analisando dados e fatos ocorridos pelo Brasil afora nesse processo eleitoral, é possível afirmar que, em alguns municípios, não foi uma tarefa fácil, com campanhas carregadas de mentiras, agressões à moral, desafetos, calúnias, críticas destrutivas, violência, enfim uma variedade de atitudes e posturas que provocaram mágoas na tentativa de denegrir a imagem do adversário na disputa pelo poder, e em alguns casos até morte ocorreu. Contudo, é possível que tiremos lições preciosas. A mudança começa a ser notada: pelo protesto nos votos brancos e nulos, pela escolha de candidatos sem histórico de vida pública, renovação (ainda que um pouco tímida) de algumas Câmaras de Vereadores, enfim, vislumbra-se a esperança de que é possível sim “passar o Brasil a limpo” a partir de cada recanto de nosso imenso país.

Diante de tudo o que vivemos, precisamos esquecer as diferenças porque os eleitos trabalharão para o município como um todo, não para uma sigla partidária, porque todo governante deve estar capacitado para atuar de forma justa, caso contrário inexiste a democracia. É preciso que os nossos políticos mantenham a fidelidade e a sinceridade como princípios básicos, pois são vitais para unir o indivíduo à comunidade.

EBC

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