“Mês do cachorro louco” reforça importância da vacinação contra a raiva

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Agosto ficou conhecido popularmente como o “mês do cachorro louco” devido à concentração de fêmeas no cio e à disputa entre os machos, que os deixa mais arredios, aumentando o risco de mordidas, inclusive no homem. Nesses casos, se o animal estiver infectado pelo vírus da raiva, o risco de transmissão é grande. Por isso, esse mês foi escolhido para conscientizar a população sobre a importância da prevenção contra a doença, que é fatal em 100% dos casos.

Segundo o médico-veterinário Luciano Granemann e Silva, membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina e proprietário da Cão.Com, a única forma de evitar a doença é através da imunização. “Ela é obrigatória por lei, faz parte do calendário nacional de vacinação e deve ser tomada uma vez por ano por cães e gatos a partir de 12 semanas”, afirma. São poucas as contraindicações: animais prenhes, com severa debilidade física ou que apresentam forte reação alérgica à vacina.

O Brasil é exemplo no combate da raiva animal em todo mundo. Desde 1973, quando o governo federal iniciou o Programa Nacional de Prevenção da Raiva, foi registrada uma redução de 90% nos casos. Embora esteja controlada, a doença não foi erradicada, por isso a necessidade de continuação de ações preventivas. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses de Florianópolis, os últimos registros em Santa Catarina aconteceram em Xanxerê e Itajaí, em 2006, e em Jaborá, no ano passado, todos com variante do vírus de morcegos (ciclo silvestre, não urbano).

Onde vacinar

Famílias com renda de até dois salários mínimos, mediante comprovação de renda e domicílio, podem vacinar seus cães e gatos gratuitamente na Diretoria de Bem-Estar Animal, da Prefeitura de Florianópolis.

A vacina também pode ser encontrada em clínicas veterinárias e agropecuárias. A Cão.Com, por exemplo, realiza anualmente ações buscando alertar seus clientes sobre a importância da vacina antirrábica. “Depois que implantamos um sistema de aviso mais eficiente, a adesão aumentou significativamente. De 2016 para 2017 houve um crescimento em torno de 20%. Só nesse primeiro semestre, 46,7% dos clientes avisados trouxeram seus pets para tomar a vacina”, comemora o médico-veterinário Luciano Granemann e Silva. Alguns planos de saúde para pets incluem a vacina e outros concedem descontos.

Controle da raiva

Em várias cidades no Brasil são promovidas pelo poder público campanhas gratuitas de vacinação em massa, dependendo do risco na localidade. Em Florianópolis elas não acontecem há muitos anos, devido a seu status de “raiva controlada no ciclo urbano”, segundo a bióloga Cíntia Petroscky, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura. Ela informa que durante o ano todo o centro atua na vigilância dos casos suspeitos em animais domésticos e morcegos, agindo também no controle de notificações em herbívoros, como bois e cavalos. “Aqui na cidade a proximidade entre os morcegos e o homem e seus animais domésticos é bastante frequente, por isso a vacinação continua sendo recomendada como uma ação de proteção individual”, afirma.

O que fazer em caso de mordida ou suspeita de raiva?

Caso o tutor suspeite que seu pet esteja com sintomas de raiva, o médico-veterinário Luciano Granemann e Silva recomenda confinamento e a comunicação imediata à autoridade pública. Se for mordido por animal de rua ou outro cão com suspeita de raiva, deve ser levado a uma clínica veterinária para tratar as feridas e, caso não seja imunizado, realizar exames. A bióloga Cíntia Petroscky também alerta sobre a importância do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ser notificado imediatamente caso animais domésticos entrem em contato com morcegos ou seja observado algum comportamento incomum desses animais, como pouso em locais iluminados, voos diurnos e entrada em residências. “Caso encontre um morcego, não toque, apenas jogue um pano sobre ele e entre em contato imediatamente para que possamos ir ao local capturá-lo”, aconselha.

Caso pessoas forem agredidas por cães, gatos e mamíferos silvestres, é importante procurar um dos 49 centros de saúde do município para a realização do atendimento antirrábico.

Formas de contrair a raiva e sintomas

 A raiva é contraída através da saliva de um animal infectado, através da mordedura, arranhadura e lambedura em ferimentos ou mucosas. Os principais transmissores em áreas urbanas são cães, gatos e morcegos. A doença afeta o sistema nervoso central e entre os sintomas mais frequentes estão mudanças de comportamento, agressividade, hipersalivação e paralisias.

Roberta Sandreschi

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